sexta-feira, dezembro 12, 2008

MEUS RASCUNHOS

Conversando com meu amigo Cirilo, acabei por me convencer a colar aqui meus rascunhos. Cirilo sempre achou que eu deveria mostrar meus rascunhos. Eu sempre me neguei. Digo sempre que escrevo para minha mediocridade. Maior pretensão não tenho. Cirilo é daqueles que queima a boca mas não larga o osso. Sempre bate na mesma tecla exigindo que publique as coisas que escrevo. Bem... Amigo Cirilo! Vou atender seu pedido colando abaixo um rascunho meu.

REDEMOINHO


Minha mão calejada
Não escreve palavras lindas
O rio que me banha
Ora é profundo, ora sem fundo
O sol que se põe não é aurora
Os versos que escrevo
Não são de minha alma.

Nunca percebi amor nos olhos
Da mulher que espero
O amor que aos outros vem no olhar
Em mim cai feito cegueira
Não me dei bem com a espera.


Verdadeiramente não me reconheço
Se falo, não escutam
Se escuto, emudecem a voz
Todo meu começo é no final
E meu final é sempre um recomeço.

Não devo razão à razão
Sou puro improviso
No emaranhado de minha consciência
Deixo roteiros gravados em fala muda.

As tormentas que afligem o pensar
Fazem algazarras no pensador
Nem mesmo o ócio de meus quarenta anos
Atestam a conclusão de Decartes
Sou um encarte não finalizado
Se penso pensar existir, não existo
O que escrevo não foi escrito por mim.

No redemoinho da vida dou volta contrária
Chego quando tenho que ir
Quando vou é porque tinha que ficar
Os passos que me levam
Não são os mesmos que me trás
Eu mesmo não sou eu!


Essa janela que olho a vida
Tem dias que não abro
Estar fechada,
É estar fechada de mim mesmo.
Não ver o balançar da cortina
É poder mudar a rotina
Desse que penso ser Eu.


Um comentário:

Anônimo disse...

GOSTEI , d+ , PARABÉNS , muito bom mesmo