sábado, janeiro 10, 2009

O FUTURO DA HUMANIDADE

[...]


- Só continuo a conversa se você me responder uma pergunta.
- Terei o maior prazer em respondê-la – disse apressadamente, confiando que um mendigo não faria uma pergunta complexa.
- Qual a diferença entre um poeta e um poeta da vida? - indagou, penetrando nos olhos de Marco Pólo.
O jovem percebera que caíra numa armadilha. Subestimara a inteligência do mendigo. Esfregou as mãos no rosto, abaixou a cabeça e, depois de muito pensar, reconheceu:
- Perdoe-me, senhor, mas não sei a resposta.
- Um poeta escreve poesias, um poeta da vida vive a vida como uma poesia. Meu amigo era um poeta da vida.
Marco Pólo quis ensaiar uma nova pergunta. Cortando-o, Falcão disse-lhe;
- Seja honesto. Você não respondeu e a conversa se encerrou.
Marco Pólo ficou plantado no banco. Achava-se muito esperto, mas deparara-se com sua estupidez e arrogância. Apesar de decepcionado consigo mesmo, estava eufórico com a inteligência de Falcão.
Falcão levantou-se e, como se nada tivesse acontecendo, começou a caminhar. Abraçou uma árvore. Beijou-a. Agachou-se diante de uma flor, parecia querer penetrar-lhe as entranhas. Dizia algumas palavras inaudíveis, como se estivesse fazendo uma oração ou elogiando a flor.
Marco Pólo, teimoso e com a voz embargada, arriscou dizer algo para manter o vínculo:
- Até amanhã!
Falcão se levantou e comentou:
- O tempo não existe, garoto. Amanhã a chama da vida pode ter se apagado!


[...]

* trecho extraído do livro O Futuro da Humanidade – Augusto Cury – Sextante, p. 20/21.

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