Quinta-feira, Julho 23, 2009

INDIGANÇÃO - EU AINDA TENHO!!!

Um dia, voltando da escola, sobre o sol escaldante do final da manhã, encontrei na rua arenosa e deserta da minha pequena Coronel Sapucaia, uma bola de capotão. Brilhou-me os olhos mais que o reflexo da areia branca sob os raios do sol. Cheguei em casa com o sorriso de orelha a orelha. Contei a novidade. Meu pai levantou, pegou pela minha orelha e quase que me içando conduziu-me até o local onde havia achado a bola de capotão. Com a voz firma perguntou: Foi aqui que você achou a bola? – Sim, pai. Então coloca de volta no lugar. Mas, pai! Coloca de volta, ou vai levar uma surra daquelas! Essa bola não apareceu aqui por acaso, deve ter dono, você deixa ela aí que já, já, ele vem pegar. Com a alma dilacerada e em prantos deixei a bola no local que havia encontrado. Aos meus oito anos de idade eu recebera a primeira lição de minha vida.

Fiz esse pequeno intróito para poder efetivamente adentrar no tema que passo a discorrer.

A cidade que adotei para viver (já são mais de 23 anos de Dourados) foi atingida por um terremoto de escândalos de corrupção. Corrupção de todas as espécies e gêneros.
Não é necessário repisar nomes, cargos ou qualquer outra forma de individualização dos autores dessa vergonha. São todos mui conhecidos.

Eu quero abordar é o SILÊNCIO.

O absurdo silêncio que se instalou durante e depois do terremoto.
Esse silêncio é pior que o próprio terremoto. É mais escandaloso que o próprio mar de lamas a penetrar as entranhas do poder Executivo e Legislativo municipal.
Esse silêncio é permissivo. É contemplativo. É a síntese da perda da capacidade de indignação, da idéia equivocada que temos de que o Estado são eles e não nós, de que a coisa pública não tem dono.

Precisamos acordar, fazer barulho, tirar o pé do chão! Do chão da lua, principalmente.

Conclamo à União Douradense de Estudantes, Diretórios Centrais de Estudantes, União Douradense de Associação de Moradores, Sindicato dos Trabalhadores em Educação, Ordem dos Advogados do Brasil, Sindicato dos Bancários, Comitê de Defesa Popular, o Metra – Movimento pela Ética e Moralidade no Trato da Coisa Pública, lojas maçônicas, clubes de serviços, associações de famílias, enfim, toda a sociedade civil organizada a despertarem e acabar com esse indigno silêncio.

Em particular, conclamo aos pioneiros e seus descendentes que nunca se calaram pelo desrespeito ao feriado do dia 20 de Dezembro, para que venham bradar vossas indignações, sob pena de Dourados permanecer em feriado Moral por um longo período.
Eu não sou filho desta terra, mas meus filhos são. E a eles e aos demais filhos desta terra é que precisamos passar a cidade a limpo.

Por oportuno, quero registrar que estive na primeira seção ordinária da Câmara Municipal de Dourados após as prisões. Duas coisas eu percebi: pão e circo e que a Juíza Dileta, os promotores e a polícia federal provavelmente serão processados por calúnia e difamação.

Para que não tenhamos uma situação dessa é que precisamos agir.
A inércia de cada um de nós amplifica o silêncio e chancela a frase de Ruy Barbosa: de tanto ver o mal triunfar, chego a ter vergonha de ser honesto.

E, para não perenizar a hermenêutica do silêncio, reflitamos:

Esopo, já no século VII escrevia: “Enforcamos os pequenos ladrões e fazemos dos outros altos funcionários públicos”.
Diz um provérbio tibetano atual: “Quem rouba um escudo é condenado; quem rouba um reino é coroado”.

0 comentários: